Seja Bem Vindo(a)!!
Aprecie com calma e sem moderação. Esse espaço destina-se a informar. Apenas isso. Informando, pretende dialogar. Dialogando, busca engrandecer a todos que dele participam.
Muito obrigado, volte sempre.
Sérgio Cabelera
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
PARA ALÉM DOS "CURTIR", "COMPARTILHAR", "RETWITTAR"...
Essa greve da PM tem suscitado uma série de postagens, "curtições", "compartilhamentos" de mensagens, vídeos e outras linguagens falando do atual governo, especialmente do Governador baiano Jaques Wagner. Eu só gostaria de recordar uma postagem nossa de 2009 que, infelizmente, continua em pauta e, como as negociações de grevistas e governo, sem qualquer avanço.
Não basta - ou será que basta? - twittarmos, comentarmos, reenviarmos... seja lá o que fizermos, enquanto não refletirmos o que segue:
De que adianta um novo governo...
Um novo ano se inicia e com ele nossas expectativas renovam-se, especialmente por esse marcar também o início de um novo governo municipal. Com o raiar de um novo ano, planos são traçados, sonhos alimentados com a mais intensa vibração positiva, muitas vezes, na verdade quase sempre, até esquecemos que tais planos podem não vir a vingar permanecendo na dimensão mental apenas…
Um ano velho, como é próprio dos velhos, sempre deixa para o novo, lições valiosas. 2008 fora generoso para com o seu sucessor, 2009.
Existe uma infinidade dessas lições que são demasiado particulares e outra grande gama situada na esfera coletiva e que apontam para a necessária mudança de atitude por parte dos atores da vida social e política de cada rincão planetário.
Cada uma dessas lições aponta para uma atitude particular e individualizada que, em sua soma, compõe o coletivo. Assim, a simples mudança de ano não traz melhores dias. Também as mudanças dos gestores municipais não transformam, num passe de mágica, a realidade de município algum o que significa dizer que todos somos responsáveis pela mudança que tanto desejamos. E observemos que são lições que acompanham gerações inteiras!
Dentre as situações que nos ajudam a perceber melhor tal lição, uma é a educação. Nos acostumamos a imputar aos chefes políticos de um modo geral, a responsabilidade pelo andamento insatisfatório da educação pública brasileira, mas sejamos sinceros: Quantos políticos estão em sala de aula levando o conhecimento às nossas crianças e nossos jovens? Quantos são os políticos nossos que têm seus filhos na escola pública? Assim, quem de fato pode promover as mudanças nesse setor tão crucial são os atores que dele fazem parte, não dá mais para jogar a bola da responsabilidade para quem não está participando do embate…
Aliás, o fato da quase inexistência de filhos dessa parcela social na escola pública denuncia uma contradição que ultrapassa a vida social e política, atingindo a dimensão espiritual-religiosa, nós que somos filhos de tradição cristã e que traz como um de seus principais elementos doutrinários o ensinamento Crístico do FAZER PARA O OUTRO AQUILO QUE GOSTARÍAMOS QUE ELE NOS FISESSE. Em outros termos: se não serve para mim, igualmente não serve para o meu próximo. Cabe-nos resolver se Aquele a Quem chamamos CRISTO merece ou não consideração, ou será que não devemos misturar religiosidade com a vida cotidiana?
A educação é um exemplo ímpar, porque ela influi em todos os outros setores da vida humana. A educação, esse instrumento de transformação da realidade, quando vista com o devido respeito por cada indivíduo da sociedade, é capaz de resultados, à primeira vista, inacreditáveis – tal resultado só é possível por conta do desconhecimento do poder que detém a educação.
Como perceber a influência da educação no nível da qualidade de vida dos milhares de municípios pobres espalhados por todo o hemisfério, vítimas da manipulação praticada pelos detentores dos instrumentos educacionais que o fazem com o objetivo único de manterem-se à frente do processo, comandando-o, impedindo que se percebam as diversas possibilidades de libertação existentes ao alcance nosso.
Por acaso, não é novidade que uma sociedade bem educada gera um corpo social mais saudável, com menor índice de doenças tão comuns, e mortais, como a famosa dengue, alimentada pela inadequada assepsia de quintais e terrenos abandonados por proprietários e/ou responsáveis. Como negar a importância da educação no contorno dessa realidade cíclica de todos os verões brasileiros. Aliás, vale reforçar a lembrança, que poucas são as pesquisas desenvolvidas por laboratórios de ponta (do chamado primeiro mundo) dedicados ao combate desse tipo de doença – característico das áreas periféricas do sistema, onde moram os menos favorecidos econômica e educacionalmente.
A educação de qualidade implica numa qualificação do tecido social. Esse tecido é que tornará o ambiente social mais amigável, civilizado, menos manipulável…
Mas afinal de contas, será que estamos interessados na construção desse tipo de sociedade, onde o famoso “jeitinho” dará espaço ao realmente correto e justo? Onde os chamados “bons contatos” abrem portas, liberam multas de trânsito, passam por cima de direitos, desconsideram os mais elementares conceitos democráticos?
Não há governo bom quando os governados não sabem distinguir um do outro senão pela troca de favores. Vejamos os vereadores e deputados eleitos. Quantos e quantos não conseguem sua eleição tendo por base o comércio que fazem com a saúde dos menos esclarecidos, que os elegem na esperança de que lutem pela melhoria da saúde pública, sem perceberem que isso põe em risco suas respectivas eleições.
O mais necessário portanto, não é um novo governo simplesmente, mas um novo eleitorado, ciente de suas obrigações para exigir do governante o cumprimento do seu papel, SEM TROCA DE FAVORES!!!
domingo, 8 de janeiro de 2012
RETRETA NATALINA - MOMENTO DE MAGIA
Não é de hoje que a Filarmônica 25 de Dezembro goza de grande prestígio entre aqueles que gostam de música, de cultura real.
No último dia 24 de dezembro (2011), o que se viu em frente à sede da Sociedade Lítero Musical 25 de Dezembro foi um enfático exemplo daquilo. Esbanjando estilo e performance, França Cara de Gato, o maestro, comandou a "Gloriosa" e arrancou efusivos aplausos em diversos momentos dos mais de 40min de apresentação.
O repertório, outro item recheado de novidades inovadoras, trouxe clássicos como Carinhoso, do imortal Pixinguinha, o hino da Filarmônica (letra de Dr. Deraldo e música de Ovídio Santa Fé), dobrados e Reggae de Bob Marley, dois títulos sendo uma delas Is This Love, um dos maiores hits do gênero e do autor. O 'dueto' com a Flauta Doce Aniceto Azevedo foi outro momento ímpar, especialmente quando ambas as bandas tocaram o mais que tradicional, obrigatório, Noite Feliz.
Outro momento mágico, sem a menor dúvida, da nossa querida 25 de Dezembro foi quando da execussão de Ré-Nato e Si-ci, especialmente composta para ela pelo irrequieto e genial Tom Zé. Essa música, que -conforme comentaram diversos músicos - obrigou aos veteranos e novatos estudarem a fundo sua execussão precisa entrar para o repertório, bem como outras composições do mesmo autor, como a grande sacada musical "Pro Mestre Zequinha de Puciano", na qual ele homenageia um dos maiores ícones dos mais de 50 anos de 25 de Dezembro.
Fica a sugestão! e, acima de tudo, os agradecimentos.
DE VOLTA À BLOGSFERA
O exercício da escrita é algo que nos impõe rigorosa disciplina - e eu nunca fui muito bom nessa matéria.
Por isso mesmo tenho estado ausente desse espaço... Mas agora retorno, e pretendo estender-me por ele...
PRETENDO... SC
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
FILMES PARA VER E REVER
EM NOSSOS DIAS, A CADA DIA QUE PASSA FICA MAIS DIFÍCIL TERMOS ACESSO A PRODUÇÕES ARTÍSTICAS QUE VALHAM TAL TITULAÇÃO. POR ISSO COSTUMO RECORRER AO ARQUIVO E REVISITAR ALGUMAS DELAS GUARDADAS NA REDE MUNDIAL.
ASSIM FOI QUE RESOLVI ASSISTIR NOVAMENTE À ADAPTAÇÃO DO ROMANCE DE MESMO TÍTULO QUANDO NIETZSHE CHOROU, DE IRVIN D. YALOM, UMA OBRA NO MÍNIMO NECESSÁRIA.
O FILME, COMO O LIVRO, É AMBIENTADO NA VIENA DE FINS DO SÉCULO XIX E TRAZ COMO SUAS PERSONAGENS CENTRAIS O FILÓSOFO NIETZSHE E O PAI DA PSICANÁLISE SIGMUND FREUD, AINDA EM SUA JUVENTUDE. SÓ POR ESSES DOIS PERSONAGENS JÁ VALERIA A PENA CONFERIR A PRODUÇÃO (TANTO LITERÁRIA, QUANTO CINEMATOGRÁFICA), MAS O ROTEIRO DO FILME VAI ALÉM DE TAIS MITOS, NOS LEVANDO A UM MERGULHO EM SI MESMOS, VARRENDO NOSSOS CONCEITOS E NOS SUGERINDO REAVALIARMOS NOSSOS SONHOS E NOSSO VIVER MESMO!
A PROPOSTA DE REUNIR NUM MESMO AMBIENTE TAIS PERSONAS, QUE AINDA HOJE REPRESENTAM ÍCONES DA CIÊNCIA MODERNA (EM SE TRATANDO DE PSIQUE HUMANA), É ALGO QUE MUITO BEM SE APLICARIA À CONDUTA SÓCIO-INTELECTO-CULTURAL DE AMBOS, DE MODO QUE TAL EXERCÍCIO REALMENTE NOS APROXIMA DE SEUS UNIVERSOS, ESPECIALMENTE O DO FILÓSOFO.
EVIDENTEMENTE QUE UMA PELÍCULA COM TAL TEMÁTICA NÃO RESULTOU EM ALGO DE FÁCIL DIGESTÃO. PRIMEIRAMENTE ELE NOS CONVIDA - OBRIGA NA VERDADE - A ASSISTÍ-LO COM MUITA ATENÇÃO, E MESMO POR MAIS UMA VEZ. DEPOIS NOS DEIXA A NECESSIDADE DE CORRERMOS À LITERATURA NIETZSHIANA, REVISITAR ZARATUSTRA, O SÁBIO ERMITÃO
JUSTAMENTE POR NOS COLOCAR FRENTE A FRENTE CONOSCO, VALE MUITO A PENA ASSISTIR À OBRA. FICA AÍ A DICA.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
A história do Forró
Para começo de conversa, não passa de lenda, sem nenhuma sustança, a idéia de que o termo forró vem da expressão “for all”. Segundo esta versão, os ingleses que vieram ao Nordeste construir ferrovias, quando faziam bailes, colocavam na porta de entrada uma tabuleta na qual escreviam “for all”, ou seja “para todos”. Forró seria, pois, corruptela da expressão britânica. Muitos estudiosos, entre os quais o potiguar Luis da Câmara Cascudo, afirmavam que isto não tem o sentido (não exatamente com estas palavras). Primeiro porque os esnobes ingleses nunca foram de se misturar com a cabroeira que trabalhava para eles. Depois, esta cabroeira não sabia ler nem em português, quanto mais em inglês!
Forró vem, não se tem dúvidas, de forrobodó, palavra originária, segundo José Ramos Tinhorão, de Portugal. Significava, tanto no Sudeste, quanto no Nordeste do Brasil, os sambas promovidos pelo populacho. Em 1911, Chiquinha Gonzaga, musicou uma opereta intitulada Forrobodó, de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt. A dupla Xerém e Tapuia, em 1937, gravou a primeira música com o termo no título: Forró na roça, de Xerém e Manoel Queiroz, mas era um choro, não o forró formatado alguns anos mais tarde por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Quando Luiz Gonzaga deixou, em 1930, a casa dos pais, no Araripe, povoado de Exu (PE), forró já pertencia ao seu vocabulário, designando os bailes de finais de semana, movidos a oito baixos, zabumba, melê, às vezes triângulo, pífano, cuja trilha eram xotes, arrasta-pés, quadrilhas, rancheiras, marchinha-de-roda.
Forró vem, não se tem dúvidas, de forrobodó, palavra originária, segundo José Ramos Tinhorão, de Portugal. Significava, tanto no Sudeste, quanto no Nordeste do Brasil, os sambas promovidos pelo populacho. Em 1911, Chiquinha Gonzaga, musicou uma opereta intitulada Forrobodó, de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt. A dupla Xerém e Tapuia, em 1937, gravou a primeira música com o termo no título: Forró na roça, de Xerém e Manoel Queiroz, mas era um choro, não o forró formatado alguns anos mais tarde por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Quando Luiz Gonzaga deixou, em 1930, a casa dos pais, no Araripe, povoado de Exu (PE), forró já pertencia ao seu vocabulário, designando os bailes de finais de semana, movidos a oito baixos, zabumba, melê, às vezes triângulo, pífano, cuja trilha eram xotes, arrasta-pés, quadrilhas, rancheiras, marchinha-de-roda.
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, numa tarde de outono, de 1946, no Centro do Rio de Janeiro (na avenida Calógeras, onde o cearense mantinha um escritório de advocacia) arquitetaram o baião, em 1946. A partir da gravação desta composição seminal pelos 4 Ases e 1 Curinga, baião se tornaria por dez anos mania nacional. Mas ainda não era forró. Assim como o frevo até final dos anos 20 significava a folia, não a música que a animava, o forró continuou, até meados dos anos 50, sendo também chamado de samba, o frege, não os estilos musicais que Gonzaga ia incorporando ao seu repertório: xenhenhem, xaxado, rojão, coco, embolada, samba de latada, torrado, xamego, xerém, balaio, balanceio (criação do cearense Lauro Maia, cunhado de Humberto Teixeira). Não apenas incorporando, mas disseminando a música pelo Nordeste, onde virou ídolo, e influenciou dezenas de músicos a seguirem seus passos.
Um destes seguidores de Gonzagão chamava-se Zito Borborema, um paraibano que, em 1955, começou a fazer apresentações como Zito Borborema e seus Cabras da Peste. Em 1958, Zito Borborema seria mais um dos protegidos de Luiz Gonzaga, que o incentivou a formar com Dominguinhos e Miudinho o Trio Nordestino, que teve pouco tempo de vida com estes integrantes (no mesmo ano, os baianos Coroné, Cobrinha e Lindú pediriam autorização à dona Helena Gonzaga, para usar o nome do trio). Antes, em 1956, Zito Borborema entraria para a história da música nordestina ao gravar o primeiro disco (um 78rpm) que trazia no selo o nome forró como gênero na música Forró no Alecrim. Por esta época forró já deixara de significar a festa para ser o coletivo que abrigava os vários estilos musicais espalhados pelo Nordeste, que tanto podia ser instrumental, quanto cantado, tendo como característica principal o tripé: sanfona, zabumba e triângulo, consagrado por Luiz Gonzaga.
Esta era a instrumentação básica, mas raramente o forró gravado se limitava a ela. O pífano, a tuba, violão, com ênfase na baixaria, enriqueciam os discos do gênero. Em 1955, Jackson do Pandeiro incorporaria mais um estilo ao forró, o rojão, numa composição do pernambucano Edgar Ferreira, Forró em limoeiro. O paraibano, mais adiante, já no Rio de Janeiro, definiria seu estilo próprio, com um fraseado vocal, e um senso rítmico que até a atualidade influencia cantores e cantoras. Valia-se igualmente do uso de todo e qualquer instrumento que desse um colorido à sua música: de metais a violino. Também da Paraíba, viria Marinês (uma pernambucana de São Vicente Férrer, cuja família mudou-se, quando ela ainda era criança, para Campina Grande). Mais uma protegida de Luiz Gonzaga, Marinês formaria com este, mais Jackson do Pandeiro a santíssima trindade do forró, O Rei do Baião, o Rei do Ritmo, e a Rainha do Xaxado.
Nos anos 60, forró era tudo que fosse chamado de forró. Abdias, um paraibano, que foi um dos maiores tocadores da história dos oito baixos, marido de Marinês, incluía em seus discos, além dos estilos embutidos dentro do coletivo forró, também frevos e choros. Em meados dos anos 60, Abdias especializou-se no samba de latada, de letras passionais (que hoje seria chamada de brega), acompanhado de um regional (pandeiro, violão de sete, violão, cavaquinho) mais os instrumentos tradicionais do forró. Nos discos gravados no Recife, nos anos 60, na gravadora Rozenblit, era muito comum se ouvir tuba, clarinete, e pífano, ao lado de sanfona, triângulo e zabumba, acompanhando Jacinto Silva, Genival Lacerda, ou o Coroné Ludugero, nome artístico do pernambucano Luis Jacinto, humorista e forrozeiro, verdadeira lenda nordestina, falecido precocemente num desastre aéreo em 1970, no Pará. Luiz Gonzaga, mais uma vez inovaria o forró, no início dos anos 70, ao incorporar ao seu instrumental a detestada guitarra dos conjuntos de iê-ê-iê, fustigados por ele em Xote dos cabeludos (dele e José Clementino) em 1967, no auge da Jovem Guarda.
O que é forró? O alagoano Jacinto Silva responde a pergunta: “Forró é poeira, é simplicidade. Forró é uma seqüência de ritmos nordestinos: xaxado, coco de roda, marchinha de roda, baião, xote… Esses ritmos todos é que significam o forró″.
José Teles
Especial para o JC OnLine
Um destes seguidores de Gonzagão chamava-se Zito Borborema, um paraibano que, em 1955, começou a fazer apresentações como Zito Borborema e seus Cabras da Peste. Em 1958, Zito Borborema seria mais um dos protegidos de Luiz Gonzaga, que o incentivou a formar com Dominguinhos e Miudinho o Trio Nordestino, que teve pouco tempo de vida com estes integrantes (no mesmo ano, os baianos Coroné, Cobrinha e Lindú pediriam autorização à dona Helena Gonzaga, para usar o nome do trio). Antes, em 1956, Zito Borborema entraria para a história da música nordestina ao gravar o primeiro disco (um 78rpm) que trazia no selo o nome forró como gênero na música Forró no Alecrim. Por esta época forró já deixara de significar a festa para ser o coletivo que abrigava os vários estilos musicais espalhados pelo Nordeste, que tanto podia ser instrumental, quanto cantado, tendo como característica principal o tripé: sanfona, zabumba e triângulo, consagrado por Luiz Gonzaga.
Esta era a instrumentação básica, mas raramente o forró gravado se limitava a ela. O pífano, a tuba, violão, com ênfase na baixaria, enriqueciam os discos do gênero. Em 1955, Jackson do Pandeiro incorporaria mais um estilo ao forró, o rojão, numa composição do pernambucano Edgar Ferreira, Forró em limoeiro. O paraibano, mais adiante, já no Rio de Janeiro, definiria seu estilo próprio, com um fraseado vocal, e um senso rítmico que até a atualidade influencia cantores e cantoras. Valia-se igualmente do uso de todo e qualquer instrumento que desse um colorido à sua música: de metais a violino. Também da Paraíba, viria Marinês (uma pernambucana de São Vicente Férrer, cuja família mudou-se, quando ela ainda era criança, para Campina Grande). Mais uma protegida de Luiz Gonzaga, Marinês formaria com este, mais Jackson do Pandeiro a santíssima trindade do forró, O Rei do Baião, o Rei do Ritmo, e a Rainha do Xaxado.
Nos anos 60, forró era tudo que fosse chamado de forró. Abdias, um paraibano, que foi um dos maiores tocadores da história dos oito baixos, marido de Marinês, incluía em seus discos, além dos estilos embutidos dentro do coletivo forró, também frevos e choros. Em meados dos anos 60, Abdias especializou-se no samba de latada, de letras passionais (que hoje seria chamada de brega), acompanhado de um regional (pandeiro, violão de sete, violão, cavaquinho) mais os instrumentos tradicionais do forró. Nos discos gravados no Recife, nos anos 60, na gravadora Rozenblit, era muito comum se ouvir tuba, clarinete, e pífano, ao lado de sanfona, triângulo e zabumba, acompanhando Jacinto Silva, Genival Lacerda, ou o Coroné Ludugero, nome artístico do pernambucano Luis Jacinto, humorista e forrozeiro, verdadeira lenda nordestina, falecido precocemente num desastre aéreo em 1970, no Pará. Luiz Gonzaga, mais uma vez inovaria o forró, no início dos anos 70, ao incorporar ao seu instrumental a detestada guitarra dos conjuntos de iê-ê-iê, fustigados por ele em Xote dos cabeludos (dele e José Clementino) em 1967, no auge da Jovem Guarda.
O que é forró? O alagoano Jacinto Silva responde a pergunta: “Forró é poeira, é simplicidade. Forró é uma seqüência de ritmos nordestinos: xaxado, coco de roda, marchinha de roda, baião, xote… Esses ritmos todos é que significam o forró″.
José Teles
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