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Sérgio Cabelera

domingo, 4 de março de 2012

DO BLOG DE ROBERTO MARTINS

Fernando Sant’Anna, a parte e o todo

FERNANDO SANT'ANNA nos anos 1980

Em Irará, os comentários da morte de Fernando Sant’Anna não devem ter sido diferentes dos de quando ele era vivo. “É daqui, mas fez o que pela terra?”, muitos podem ter questionado. 

Sim. A reposta pode ser dada com citações de algumas obras ou realizações na cidade. No evento no qual lhe foram prestadas homenagens, acontecido em maio de 2011, algumas delas foram citadas. 

Entre as mencionadas, a Rodovia BA 084, a construção da grande agência dos Correios e Telégrafos, a vinda do telefone, além de outras conquistas para o município, nas quais Fernando teria participação. 

Mas, pensar assim é pensar pequeno. É só olhar para a parte e esquecer o todo. É pensar no varejo. E Fernando Sant’Anna era da política do atacado. Um daqueles, hoje raros, homens públicos com atenção dedicada, principalmente nos seus exercícios parlamentares, às grandes questões nacionais e da humanidade. 
 
Por isso, melhor do que citar benfeitorias em Irará, conquistadas com alguma influência de Fernando Sant’Anna, melhor seria dizer que o ex-deputado não se limitou à sua cidade natal, como faria qualquer político provinciano.  A sua batalha era pela pátria como um todo. 

A luta se dava em campos como o da defesa pela soberania nacional, entre outros. Fernando Sant’Anna, nosso conterrâneo, foi um dos articulistas da grande campanha nacionalista “O Petróleo é Nosso”, ocorrida na década de 1950. 

Aquela empreitada contribuiu para o nascimento da Petrobras. Com a gênese de uma petrolífera nacional veio também o direito dos próprios brasileiros explorarem e comercializarem o ouro negro, antes adormecido sob o sagrado solo desta nação. 

E a Constituição de 1988 e todas as suas garantias democráticas? Fernando foi um Deputado Constituinte e participou ativamente da elaboração da Carta, considerada umas das mais avançadas do mundo. Se suas prerrogativas são desrespeitas, isto é outro assunto.  

Agora é história. Chegou o dia de Fernando Sant’Anna ser atingido pela “fatalidade cósmica”*. Fica o seu exemplo do fazer política. A política do dialogo com o discordante. A política dos ideais. 

A grande política, em contraposição a pequenez desta que se tem visto por aqui. Onde tribunas são ocupadas para “diz que...”. Onde cada qual parece mais preocupado em cuidar de suas partes e particularidade. Onde os partidos são repartidos. 

É claro, a toda regra há exceções. Vez em quando um cometa passar por esta província e deixa por aqui uma centelha idealista. Algum “maluco beleza” qualquer, sabedor de que a parte contém o todo, pois, “a letra A tem meu nome”, como cantava Raul.

* O termo foi usado por Fernando Sant’Anna para se referir à morte quando o entrevistei em 2005 para a escrita de monografia sobre a militância de Aristeu Nogueira. 
** Imagem - Fernando Sant’Anna nos anos 1980 em foto da Galeria dos Iraraense Notáveis – Acervo da Casa da Cultura de Irará 

Crônicas Carobenses - A verdade dói

Rapaiz... qui trabai damiséra é esse??!!! Cuma é qui adispois de mais de trinta ano, me vem essa história de Terra toda Plana!?? Inda...