Seja Bem Vindo(a)!!

Aprecie com calma e sem moderação. Esse espaço destina-se a informar. Apenas isso. Informando, pretende dialogar. Dialogando, busca engrandecer a todos que dele participam.

Muito obrigado, volte sempre.

Sérgio Cabelera

domingo, 28 de outubro de 2018

O Amanhã é uma possibilidade


O Brasil avança em conquista de maturidade enquanto Nação e, mais ainda como Democracia.

Vencemos mais um pleito eleitoral, no qual, em diversos momentos, a própria Democracia se viu agredida e até negada...

Inegavelmente percebemos um país fortemente dividido...

O resultado extraído das urnas (nesse momento em nada questionadas) reflete mais que um resultado eleitoral. Ele deveria expressar o traçado para os dias vindouros. Mas não...

A luta prossegue e precisa prosseguir!!! Encerramos um pleito eleitoral no qual o que vimos e assistimos foi uma campanha da falsa notícia, da anti-notícia, da falsa informação ou sub-informação ou ainda da deturpação da informação... Uma campanha em que venceu a Não-Política, a não apreciação de propostas e também de necessidades. Aqui me recordo do que nos ensina Aristóteles em sua obra A Política: 

(...) *a república ou politia, isto é, o governo popular que cuida do bem de toda a cidade. (Não nos esqueçamos que cidade aqui era o Estado como um todo).

Portanto o que vimos foi uma campanha onde não se refletiu o bem de toda a cidade. Uma campanha que chega ao fim e o eleitorado não sabe ao certo qual foi o programa eleito, quais as principais diretrizes que guiarão os passos de um país para os próximos quatro anos. Uma campanha da qual quem foi eleito negou-se a fazer política; DEBATER!

Pior que isso, estamos diante de uma legitimação de discursos absurdamente anti-humanos; diante da legitimação da exaltação à tortura e à intolerância; diante de uma maioria que preferiu legitimar o discurso pró-armas, embora seu executor se coloque como alguém pró-vida...

Isso tudo é pior, porque comprova que nos encontramos em um momento da humanidade em que a criatura humana tem bem menos valor que as posses e que, na defesa destas, são sobrepujadas, postas ao largo da História tal qual a narrativa do Bom Samaritano, registrada em Lucas 10:25-37, qual aqueles que deveriam dar testemunho do pregavam, passam ao largo de que se vê açoitado à margem do caminho...

Mas a História do mundo cristão é repleta de episódios outros em que, em nome do Evangelho de Paz e de Amor, de Acolhimento, cometeram-se barbáries as mais terríveis. barbáries que ainda estamos distantes de superá-las...
Reafirmo que a luta necessita prosseguir. bem como a confiança no amanhã. Peço a Deus e a Seus Emissários que sejamos todos (pseudo vencedores e pseudo perdedores) capazes de corrigir nossos erros e permanecer trilhando o caminho da política proclamada por Aristóteles 300 a.C., buscando o bem comum acima dos particulares e exercendo essa arte em favor da humanidade, como preconiza o Evangelho. 

Peço ainda a Deus que os discursos de extermínio, de perseguição de negação de direitos básicos como a terra e a moradia, entre outros tantos discursos absurdos realizados por Jair messias Bolsonaro, não tenham passado de bravatas eleitoreiras com fins marqueteiros para impressionar multidões enceguecidas e famintas de por barbaridades , ainda que tão somente verborrágicas.

Avante Brasil!!! Avante, a luta não pode cessar. Nenhum presidenciável eleito poderá construir o futuro que queremos se cada um de nós não fizer a sua parte, não der a sua contribuição. 

O Brasil somos todos nós que lutamos todos os dias e que sofremos as dificuldades que sabemos, mas que não desistimos.

Avancemos juntos!!! Nos abracemos juntos e reforcemos em nosso caminhar os gestos humanitários exemplificados no caminho entre Jerusalém e Jericó e reforçados por Paulo, o Apóstolo dos Gentios em sua 1ª Carta aos Corintios, cap. 13**:


1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.


2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;


6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;


7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A mensagem do Cristo e o mundo cristão




O Brasil se insere no mundo contemporâneo como um país composto por uma sociedade majoritariamente adepta do cristianismo. Portanto, uma sociedade que preconiza os preceitos preconizados por Jesus, o Nazareno Galileu.

Observando o contexto atual no qual nos encontramos, notadamente no Brasil, quanto aos valores humanos e ainda mais, os espirituais-cristãos, confesso que me vi acometido de certo espanto, talvez até medo...

Digo isso por observar a distância que se vê entre os valores propostos por Jesus em seu Evangelho (Boa Nova) e aqueles que se têm propagados nesse período eleitoral sob o tecido do seu pseudo público seguidor.


Refletindo a respeito desse aparente contraste, me ocorreu fazer uma breve viagem na História da Humanidade Cristã.


 
 
 Primeiramente lembrei-me da ação de Constantino, no ano 313 d.C. imperador romano que, para garantir uma maior sobrevida do seu império, emitiu o Édito de Milão para instituir a tolerância religiosa dentro do império, ação que finalmente pôs fim às perseguições sofridas pelos adeptos do Cristianismo. Essa jogada política ocorreu em Niceia. 
 
 Nesse contexto, porém, Constantino não descuidou de fazer exigências a seu favor e desde então passou a interferir assiduamente nas decisões do clero de então. Essa decisão do imperador fez aumentar sobremaneira a mistura de crenças antigas com aquelas dos cristãos primitivos. Algo que ainda hoje persiste. 
 
 Em 27 de fevereiro de 380, agora em Constantinopla, foi a vez do imperador bizantino Teodósio 1º (347-395) promulgar um decreto declarando o cristianismo religião oficial do Estado Romano e punindo o exercício de cultos pagãos. Mais uma canetada com o mesmo fim político: esticar a existência do maior império que a humanidade conheceu. 

 Assim os ensinos do Cristo foram sendo “inchertados” com outros tantos afim de serem amoldados aos interesses políticos e temporais, distanciando-se cada vez mais daquilo que realmente o taumaturgo da Galileia nos deixou como ensinamentos.


 Dando sequência a tais distorções, vamos experimentar durante os 1000 anos de escuridão da Idade Média as Jihad’s cristãs contra o infiel muçulmano por meio das 8 Cruzadas, que matava, estuprava, roubava e perseguia em nome do Cristo, inclusive tendo uma, em 1212, infantil (embora existam controvérsias). Atitudes diametralmente opos-tas aos preceitos de AMOR ao próximo regis-trados por todos os autores dos evangelhos, inclusive os apócrifos.


 Mas não paramos por aí, quanto às distorções dos ensinamentos de Jesus, o Cristo. Vieram também as vendas de indulgências que tanto corromperam os ensinos do nazareno, ao ponto de membros da própria igreja romana passarem a criticar duramente tal prática, culminando na publicação em 31 de Outubro de 1517, por Martinho Lutero afixando na porta da capela de Wittemberg suas 95 teses que resultaram no surgimento do protestantismo, era a Reforma Protestante. Tal gesto do teólogo alemão, foi respondido com mais força e perseguição às suas “ideias heréticas” e punidas, inclusive com processos inquisitoriais finalizados com a condenação à morte, na forca, na foguei-ra... O amor, mais uma vez era deixado de lado.



 Durante o Mercantilismo (do século XIV ao XVIII), as nações cristãs foram exatamente aquelas que invadiram o continente africano e escravizaram seres humanos, tratando-os como não-humanos. Quanto aos indígenas, especial-mente os da América Portuguesa, lançou-se sobre eles a famigerada “guerra justa”...


 Avançando nos séculos, chegamos ao ano de 1929.


 Desde 1922 sob o governo fascista de Benito Mussolini O Estado da Cidade do Vaticano nasceu a 11 de Fevereiro de 1929 (ratificação a 7 de Junho desse ano), na sequência dos Acordos (Tratado de) Latrão, assinados entre a Santa Sé e o Reino de Itália, no caso entre o Papa Pio XI e Benito Mussolini, chefe do Governo fascista italiano. A ascensão de Hitler ao poder teve, no campo diplomático, o auxílio do papado...


 Durante os Regimes Ditatoriais da América Latina, notadamente no Brasil, Argentina e Chile, predominou o silêncio das mais diversas correntes do cristianismo com bem poucas exceções.


 São páginas terríveis da história do cristianismo. Páginas que demonstram, sem equívoco, como a verdadeira mensagem do Cristo vem sendo negligenciada, alterada e vilipendiada por tantos que se dizem seguidores seus.


Por fim, deixo-vos o pensamento de um dos grandes mestres da teologia e também filósofo, HUBERTO ROHDEN que nos esclarece a respeito do Cristo e do Cristianismo em seu opúsculo QUE VOS PARECE DO CRISTO: A verdadeira mensagem do Cristo é perfeitamente compatível com a mais alta evolução cultural da humanidade – mas não com as nossas teologias cristãs.


Ainda o mesmo autor nos informa:


Mahatma Gandhi respondia a todos os missionários cristãos que o queriam converter: “Aceito o Cristo e seu Evangelho, não aceito o vosso cristianismo”.


Albert Schweitzer, teólogo cristão e filho de um ministro evangélico, escreveu:


“Nós injetamos nos homens o soro da nossa teologia, e quem é vacinado com o nosso cristianismo está imunizado contra o espírito do Cristo.


Abraham Lincoln, um dos maiores presidentes dos Estados Unidos, nunca se filiou a nenhuma das muitas igrejas cristãs que há nesse país, porque estava à espera da igreja do Cristo.


Por que esta discrepância entre Cristo e cristianismo, da parte de pessoas espirituais e sinceras?


Porque é impossível identificar o Cristo com alguma organização religiosa; qualquer tentativa destas é necessariamente uma deturpação e uma falência.


E finalmente nos vemos obrigados, diante do que assistimos, a também concordar com ele ao registrar na mesma publicação: Damos plena razão a Nietzsche que, no princípio deste século, escreveu: “Se o Cristo voltasse ao mundo em nossos dias, a primeira declaração que faria ao mundo cristão seria esta: Povos cristãos, sabei que eu não sou cristão”.

domingo, 9 de outubro de 2016

Nas urnas, Irará Ratifica o GOLPE



            As Eleições Municipais 2016 imprimem grandes lições Brasil afora. Incluindo-se Irará.

A vitória eleitoral conquistada pelo candidato do DEM (25), Juscelino Souza, surpreendeu grande parte, quiçá a maioria, dos cidadãos e cidadãs iraraenses, inclusive correligionários seus. A tensa apreensão defronte ao Fórum Cândido Viana durante a apuração mostrava isso.

A eleição de 2016, em Irará, me recordou, e muito, aquela do ano 2000 quando o candidato eleito então (MARITO) era tido como inequivocamente derrotado. Ao final deu-se o contrário e apenas quatro anos mais tarde ele sairia derrotado nas urnas.

Vale aqui lembrarmos algumas coisas desses pleitos.

Primeiro, recordemo-nos de que no ano de 1996, final do segundo mandato do querido e respeitado Chico de Beto, o discurso da campanha oposicionista era que Irará precisava mudar, romper o ciclo de dobradinhas Chico-Marito-Chico, iniciado ainda com João Lopes que passou a cadeira para Chico e que tinha em Marito um eficiente operador político e contábil.

Pois bem, naquela conjuntura de 96 surge um grupo idealista formado por jovens empresários locais, filhos da terra, denominado Grupo Renova. Desde então as campanhas eleitorais da terra da farinha nunca mais foram as mesmas, há inclusive os que chamam aquela eleição de Antônio Campos, o homem do campo, como a última campanha “romântica” de Irará. Desde lá, esse mesmo grupo já fez três prefeitos e, como em 2000, sai derrotado nas urnas em 2016.
        Mas precisamos ir além desse contexto local e avançar em direção a questões nacionais que envolvem o mais que controverso processo do impeachment e, atrelada a ele, a, não menos contraditória, operação Lava Jato que só tem olhos e mecanismos de investigação, prisão e criminalização para uma pequena parcela dos partidos políticos brasileiros, notadamente o Partido dos Trabalhadores. O mesmo se dá com relação aos denunciados e punidos, quase em sua totalidade oriundos dessa mesma sigla. Parece nos tentar convencer que a corrupção em nosso país teve data de início (quando o referido partido assume a presidência da república) e terá sua data de encerramento decretada quando a sigla PT estiver extirpada dos cenários políticos nacionais...

        Enfim, há quem nisso creia...

        Irará não está isolado do restante do Brasil, ou do mundo. Ao contrário e cada dia mais, se encontra inserido num contexto mais e mais global e que por isso mesmo torna-se a cada dia palco de embates, na maioria das vezes ignorados por sua população que não se apercebem do que ocorre à sua volta.

Assim também ocorre no campo político-eleitoral. Quando votamos em um candidato de determinado partido, isso sinaliza para aqueles que estão no poder que nós apoiamos as suas práticas, com os seus posicionamentos quanto às questões que envolvem as prioridades político-administrativas dos nossos governos. O voto em um ou outro candidato a prefeito, e mesmo vereador, implica, ainda que não tenhamos essa intenção (falta de consciência política), no reforço ao apoio eleitoral a eles, mesmo porque é no município que todos buscam o apoio do eleitorado - o sue voto!!

O momento que vivemos hoje no nosso país é dos mais graves de sua jovem História e vem se configurando também como dos mais agressivos em relação à dilapidação de uma grande gama de direitos fundamentais da pessoa humana, do cidadão, do trabalhador... Nesse sentido, com pesar, percebemos que a leitura feita no pleito eleitoral municipal (e isso não ocorreu apenas em Irará) não considerou tais aspectos e, ainda que sem a devida noção, termina por ratificar tal cenário.

Em outras palavras, o eleitor municipal ao exercer o seu direito de votar, não parece ter refletido as mudanças graves que veem sendo implantadas e/ou em andamento por parte do governo (golpista) que usurpou a administração federal e que vem passando por cima de uma gama de conquistas tão duramente alcançadas nas últimas décadas, notadamente na última mais recente.

Essa situação não chega a surpreender, pois ela tem sido plantada com muito afinco pelas elites dominantes dos meios de comunicação e produtivos, vendendo a ideia de que a política brasileira não tem jeito e que todos são iguais. Isso ainda reforçado por uma avalanche de informações distorcidas, parciais e, até, criminosas, que maquiam o nosso cenário político contribuindo ainda mais fortemente para a completa despolitização da nossa população. Estratégia que se repete, 50 anos depois daquele 1º de Abril de 1964...

Ao ir às urnas o eleitorado certamente não avaliou a sinalização apontada pelo recém empossado governo federal (que ali chegou por meio de uma manobra jurídico-política, um GOLPE) no sentido de reduzir direitos, congelar salários e investimentos nas áreas da saúde, educação e assistência social, bem como o abandono à política de valorização crescente do salário mínimo.

Esse é o pesado custo da nossa incúria política e social. Da nossa sobrevalorização do capital financeiro em detrimento do capital social.

Mas, ao término desse processo, ou com o seu aprofundamento, quem mais irá sentir? Nos ombros de quem cairá o fardo?

Irará ratifica o GOLPE...

Enfim, bola pra frente.


Aguardemos os próximos capítulos.

domingo, 16 de novembro de 2014

A MÚSICA II

Quando a música para e a canção emudece, é aí que as coisas acontecem. São circunstâncias difíceis. Doídas...

Se faz, então, clamorosa a hora do adeus sob o mais gritante silêncio - silente silêncio...Nesse burburinho é que surgem os melhores poemas. 

Os mais iluminados versos...


O resultado é poesia.


Afinal, só a poesia pode superar o silêncio da música. O emudecimento da canção.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

VIVA o VIVA!!!


A riqueza e grandeza cultural de um povo, uma sociedade, se expressa em uma grande e inimaginável gama de formas, texturas, aparências e sonoridades. Mas aquilo que traduzem, encontra-se estampado no sorriso de seus atores/autores.

No intuito de garantir a sobrevivência de tais mecanismos de vida para a sociedade humana, ao longo do tempo buscamos nos reunir e fortalecer, (re)avivar as suas mais diversas nuances. Assim surgiu a mais de 12 (doze) anos o MOVIMENTO CULTURAL VIVA IRARÁ. Mais uma prova de o quanto essa terra é rica em cultura!


Poder desfrutar da fruição da mais autêntica Cultura de Raiz em sua expressão mais límpida é algo para o qual não encontro termologia suficientemente aplicável.


O que melhor demonstra isso que dizemos é o brilho no olhar de cada ator, de cada vetor cultural. Um brilho que encandeia a noite, iluminando a penumbra e fazendo com que a civilização ganhe liga e sentido, ultrapassando as simples posições sociais e familiares, dando alma à humanidade, sentimento.


É realmente como dizia Liev Tolstoi: Quer ser Universal, cata a tua aldeia!

E VIVA o VIVA IRARÁ!!!

A SOCIEDADE HUMANA, PARA EXISTIR, necessita irremediavelmente da arte, da cultura. Caso contrário ela se extingue. Num piscar de olhos.

No sábado, 11 de Outubro de 2014, foi noite de comemorar essa data, e essa marca, regadas com muito samba de roda, no compasso da Pisadinha do Pé Firme, comandada por Juvan Gomes, e ao sabor do mais tradicional caruru de São Cosme e São Damião, os santos gêmeos.

Noite clareada.


O brilho no olhar de cada artista popular é o que mais me fascina.




quarta-feira, 17 de setembro de 2014

NÃO VOTAREI NA DILMA

Não há salvação para o nosso país! O que deve haver é transformação. Transformação em escala individual de onde se espraie para o restante da sociedade por meio da "contaminação social", a partir do momento em que transformarmos o nosso inconsciente coletivo em direção à essa transformação que esperamos, que sonhamos tanto!


Não há salvação para o Brasil! Não pode haver salvação para um país cuja NAÇÃO demonstra em tantos momentos cruciais como o que vivemos agora, Eleições 2014, uma quase completa ausência de NOÇÃO.


Digo isso, observando cá de onde estou. Reprisando na memória tantas estradas, tantos caminhos pelos quais a vida nos levou, e tem levado...
Não. Eu não votarei na Dilma. Votarei no Brasil!!!


Não votarei na Dilma, votarei em um país que prima antes pelas pessoas que pelo capital. E prima pelas pessoas quando esforça-se por manter um programa como o Bolsa Família, ainda que cheio de falhas, em vez de alimentar com ainda mais volume os magnatas da Bovespa.


Não votarei na Dilma, votarei em um país que finalmente tomou coragem de olhar para a maioria de seus filhos e lhes sinalizar com a possibilidade de superar  suas mazelas, oferecendo mais educação superior e retomando a formação profissional. Mas sei - não pense, você que agora lê essas "mal traçadas linhas", que ache que chegamos lá - que isso ainda não é o suficiente, que temos muito o que construir referente à educação básica... Sei disso. Mas precisávamos dar um pontapé inicial. O demos. Agora precisamos dominar a bola e seguir trocando passes, até chegar ao gol, aos gols.



Não votarei na Dilma, votarei em um país que se apercebeu dono do seu destino. Destino esse que deve abrigar a todos que compõem a nação brasileira e não apenas aqueles nossos que vivem "de frente para o mar / de costas para o Brasil", pois o "Brasil é muito mais, muito mais / que qualquer zona Sul".


Não votarei na Dilma. Votarei em um país que aprendeu, e ainda está aprendendo, com altíssimos custos o valor da DEMOCRACIA ainda que por aperfeiçoar-se e consumar-se. Não votarei na Dilma. Votarei em um país que já não quer titubear. Dizer hoje sim. Amanhã não. Votarei pela convicção de que construir um país melhor, mais justo, mais correto depende de todos, inclusive dos eleitores e apesar dos políticos...
Não votarei na Dilma.


Votarei no Brasil!!!!!
Não votarei na Dilma.Como Ocidental que somos, herdeiros da tradição judaico-cristã de esperar por um Salvador, nós brasileiros temos a mania de buscar eleger um "salvador" da pátria, ou, como em 2014, uma "salvadora".Ledo equívoco!!!Não há salvador algum. Muito menos salvadora.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Filósofo e Profeta - APOLÔNIO DE TIANA

Infelizmente, informações como essas, são guardadas a sete vezes sete chaves e o povo desconhece ricas biografias que nos ajudam a libertar-se da tirania das sensações e aparências transitórias.Esse é um pequeno texto, apenas, sobre essa figura enigmática: APOLÔNIO de TIANA, o filósofo capadócio que fez o corpo desmaterializar-se diante de DOMICIANO, imperador romano, para reintegrar-se na ilha de Calipso, para estupefação de seu discípulo Dâmis. Boa leitura e boa pesquisa (para aqueles que queiram).

Durante o século I dC Apolônio ensinou e exemplificou a vida filosófica que Pitágoras havia demonstrado ser o caminho mais seguro para a imortalidade autoconsciente. Sua vida era uma censura para arrivistas Cristãos que buscavam poder pessoal travestidos com o nome e ética do Homem das Dores. Os primeiros Padres da Igreja lançaram ataques à vida e obra de Apolônio, refutando-o como charlatão e feiticeiro. Mas quando as tentativas de desacreditar Apolônio se tornaram mais viciosas no reinado de Septímio Severo (193-211 dC), a imperatriz Julia Domna, devota dos estudos literários e filosóficos, convenceu-se de que a nobre e extraordinária vida de Apolônio deveria ser preservada em uma obra literária ao mesmo tempo dignificante e fiel às fontes disponíveis. Ela incumbiu Filóstrato de executar esta tarefa, e ele foi subsidiado com os diários mantidos por Damis de Nínive, o companheiro de toda vida de Apolônio, e mais com uma profusão de cartas escritas por Apolônio e que então circulavam largamente. Fiolóstrato envolveu-se tanto com o assunto que viajou extensivamente pela Grécia e Anatólia, visitando santuários e recolhendo tradições locais. Deste material ele compôs uma biografia em oito livros, tentando discernir imparcialmente o perfil da vida e dos ensinamentos de Apolônio. Na altura do fim do século III os Cristãos estavam rapidamente forçando Jesus para fora da grande linhagem de Instrutores da Humanidade, atribuindo-lhe o papel de ser o único que alguma vez ensinara a verdade - junto com a doutrina peculiar de sua alegada descendência. Apolônio só poderia ser uma ameaça para esta pretensão, e por isso foi atacado mais perfidamente do que nunca. Mas enquanto que as tradições, santuários e tratados pereceram na fúria de erradicar todo sinal e símbolo da sabedoria pré-Cristã, a biografia de Filóstrato permanece como testemunho deste compassivo Pitagórico que sacrificou todo conforto para servir a humanidade sofredora através da obtenção e difusão da sabedoria dos deuses.

Apolônio nasceu pouco antes do início da era Cristã, em uma antiga e abastada família descendente dos primeiros fundadores de Tiana, na Capadócia. Logo antes de ele nascer sua mãe teve um sonho em que um deus apareceu-lhe. Quando ela lhe perguntou que tipo de filho ela teria, ele respondeu: "Eu mesmo". "E quem sois?", "Proteu, o deus do Egito". Proteu poderia assumir qualquer forma para evitar sua captura, mas se vencido revelava o passado e o futuro. Desde tenra idade a poderosa memória de Apolônio, a refinada dialética ática e a beleza física atraíram a atenção de toda a comunidade. Seus companheiros eram os seguidores de Platão, Crísipo e os Peripatéticos, e ele ouvia os discursos de Epicuro, embora se voltasse com grande devoção aos ensinamentos de Pitágoras. Na época de seus dezesseis anos ele já havia aprendido tudo o que podia ser ensinado sem vivenciar-se os ensinamentos, e determinou-se a dedicar sua vida à filosofia, o amor à sabedoria. Apolônio iniciou por onde um médico o faria, através da dieta. Renunciando a toda carne, por ser impura e pesada para a mente, e ao vinho, porque perturbava o equilíbrio mental e obscurecia o éter da alma, ele escolheu viver de frutas secas e vegetais. Deixou os sapatos que eram usados apenas pela aparência, declinou de usar qualquer roupa de origem animal e permitiu que seu cabelo crescesse livremente. Ele morava, com a aprovação do oráculo, no templo de Esculápio, e logo passou a ser conhecido pelas muitas curas que operou lá. Ele insistia que os sacerdotes recusassem oferendas feitas para comprar o favor dos deuses, baseado no argumento que as práticas religiosas seriam sem sentido se não acompanhadas de uma atitude ética e conduta moral apropriada. Sua própria prece era simples; "Oh, deuses, concedei-me o que eu mereço", pois, ensinava ele, os deuses são justos.


Quando Apolônio chegou aos vinte anos, seus pais morreram, e  livre de laços familiares, voltou-se à descoberta de toda a extensão da sabedoria anunciada por seu professor espiritual, Pitágoras. Impôs a si mesmo um voto de silêncio de cinco anos, durante os quais jamais pronunciou uma só palavra, enquanto treinava seus olhos, ouvidos, mente e memória para absorver tudo. Um antigo hino que ele cantou durante toda sua vida dizia que "tudo se desgasta e murcha com o tempo, enquanto que o próprio tempo jamais envelhece, mas permanece imortal por causa da memória". Tendo cumprido seu voto de silêncio, Apolônio viajou para Antióquia, na Síria, onde começou a reunir e ensinar discípulos. Ao nascer do sol Apolônio executava ritos em segredo, e instruía somente aqueles que fizessem um voto de silêncio de quatro anos. Ele ensinava que os filósofos de sua escola eram pelo dever obrigados a conversar com os deuses na primeira aurora, falar sobre eles durante a manhã, e discutir os assuntos humanos durante o restante do dia. Sua fala tinha autoridade e era oracular, vívida e clara. Quando perguntado por que nunca levantava questões, replicou "Porque eu fazia perguntas quando era garoto, e não é minha tarefa levantar questões agora, mas ensinar às pessoas o que eu descobri".

Em Antióquia, decidiu-se por uma penosa viagem até a Índia para morar com os sábios Brâmanes e visitar os Magos da Babilônia e Susa. Ao revelar seu plano aos seus sete discípulos principais, encontrou-os não só relutantes em acompanhá-lo, mas mesmo tentando dissuadí-lo de sua resolução. "Eu consultei o conselho dos deuses e comuniquei-vos a sua decisão", disse ele. "E eu vos testei para ver se sois fortes o bastante para empreender o mesmo que eu". Desejou-lhes boa sorte, mas acrescentou, "devo ir aonde a sabedoria e os deuses me conduzirem". Apolônio voltou seu rosto para o Oriente e para os fundos reservatórios da sabedoria sempre compartilhados com quem verdadeiramente os procura. Ele viajou primeiro para Nínive, onde Damis, um nativo da cidade, imediatamente reconheceu a profundeza de Apolônio e ofereceu-se ao serviço do sábio viajante. "Partamos, Apolônio", disse ele, "tu seguindo Deus e eu a ti". Ele assinalou que conhecia a região em torno da Babilônia e que falava várias línguas, especialmente a dos armênios, medos e persas. "E eu, meu bom amigo", replicou Apolônio, "entendo todas as linguagens, embora jamais tenha aprendido nenhuma". Damis ficou espantado. "Não precisas te admirar de meu conhecimento de todas as linguagens, pois, para te dizer a verdade, eu também conheço todos os segredos do silêncio humano". Damis saudou-o como a um daimon, ofereceu-lhe seu serviço e permaneceu ao seu lado pelo resto de sua vida. Ele registrou cada conversação que ouviu e todas as que Apolônio lhe contou, pela razão de que "se os deuses têm banquetes, e se tomam alimento, devem ter serviçais cuja tarefa é a de que nem mesmo os fragmentos da ambrósia que caiam ao solo sejam perdidos".

Tendo conseguido a leal companhia de Damis, Apolônio deixou Nínive, indo á Babilônia. Lá, entrou no maravilhoso esplendor do palácio real sem dar-lhe a menor importância. Seus modos confiantes e a recusa em prestar homenagem à imagem do rei, associada ao reconhecimento das virtudes régias, logo levou-o à presença real. Vardan estava prestes a sacrificar um cavalo nísio branco em honra do sol e convidou Apolônio para juntar-se a ele. O sábio declinou e em vez disso tomou um punhado de incenso e dirigiu-se ao sol: "Oh tu, Sol, manda-me sobre a terra até aonde for agradável a mim e a ti, e possa eu associar-me aos homens bons, mas jamais ouça nada dos maus, nem eles de mim". E jogou a oferenda ao fogo, declarou que este fora um bom augúrio, e escusou-se do sacrifício do cavalo.

Vardan insistiu que Apolônio ficasse nos apartamentos reais, mas ele recusou. Alojou-se junto a um homem modesto de boa reputação e preparou-se para fazer visitas diárias á corte. Desde aquele momento, Apolônio atendeu o rei, ofereceu conselho judicial, curou doenças e forneceu as bases de um bom governo: "Respeite muitos, e confie em poucos". Apolônio também conversou com os Magos, declarando que eles eram sábios em sua maior parte. Quando chegou a hora da partida, pediu a Vardan que cuidasse dos Magos e remunerasse sua classe. O rei perguntou-lhe o que traria em seu regresso. "Um gracioso presente, pois vou para homens mais sábios pelo consenso dos povos, e devo retornar aqui um homem melhor do que o que ora sou". O rei abraçou-o, dizendo, "Possas voltar, pois isto seria de fato um grande presente".

A viagem até o Indo foi áspera, cheia de perigos físicos e psíquicos, mas quando o pequeno grupo chegou ao Indo, Fraotes, o rei de Taxila, acolheu Apolônio em seu palácio. Apolônio ficou encantado com suas entradas sem guarnição, salas simples e estilo austero. "Estou deliciado, oh rei, de encontrar-vos vivendo como um filósofo".

"E eu", respondeu o rei, "estou deliciado que penses de mim desta maneira". E o rei, falando um grego perfeito, insistiu que Apolônio o convidasse para um banquete, uma vez que o sábio, acreditava, era seu superior, "pois a sabedoria tem uma qualidade mais régia". No banquete, Fraotes descreveu o treinamento filosófico na Índia:
"Em muitos casos os olhos de um homem revelam os segredos de seu caráter, e em muitos casos há material para formar um julgamento e avaliar seu valor nas suas sobrancelhas e faces, pois por estas características a disposição da pessoa pode ser detectada pelos homens da sabedoria e da ciência, como imagens vistas num espelho... É absolutamente necessário que aqueles que abracem a filosofia sejam testados e sujeitos a milhares de modos de prova... Nós estudamos a filosofia sob a direção de Mestres, e entre nós a admissão se dá através de exame.


Fraotes havia sido encaminhado com a idade de doze anos aos sábios que Apolônio procurava, e eles o haviam feito seu filho. Fraotes explicou: "Os verdadeiros sábios vivem entre o Hífase e o Ganges, em um país que Alexandre jamais invadiu - não porque tivesse medo do que houvesse lá, mas porque os oráculos lhe advertiram para não fazê-lo. Depois que Fraotes deu a Apolônio uma carta endereçada a Iarcas, o chefe dos sábios, o grupo saiu dos limites do império de Alexandre.

Depois de marcharem diversos dias em direção ao Leste, chegaram a uma vila na base da montanha dos sábios. Ali foram recebidos por um jovem e moreno indiano que dirigiu-se a eles pelo nome em um grego fluente. Ele ordenou que Damis e os demais do grupo ficassem na vila enquanto Apolônio subia ao monte com ele até a séde dos Mestres. "Encontramos homens que são genuinamente sábios", disse Apolônio para Damis, "pois eles parecem ter o dom de prever o futuro". Subindo a montanha escondidos por uma nuvem produzida magicamente, ele passou pela Fonte do Teste, cujas águas índigo jamais foram bebidas e cuja superfície criava um arco-íris de luz a cada meio-dia; passou pelo Fogo do Perdão, uma cratera incandescente natural, e passou pelo Vaso das Chuvas e o Vaso dos Ventos. Perto do cume Apolônio viu "Brâmanes indianos vivendo sobre a Terra e ainda assim não nela, e fortificados sem fortalezas, e nada possuindo, mas tendo as riquezas de todos os homens".

Quando Apolônio chegou à presença dos sábios, Iarcas cumprimentou-o em grego e falou da carta de Fraotes. O sábio prosseguiu contando a Apolônio o conteúdo exato da carta, incluindo a menção a um delta ausente em uma das palavras. Então Iarcas recontou tudo o que havia sucedido durante a viagem de Apolônio. "Vieste com uma parcela de sabedoria", concluiu Iarcas, "mas tu ainda não és um adepto".

"Vós me ensinareis, então, toda esta sabedoria?"

"Sim, e com alegria, pois isto é muito melhor do que reter e esconder assuntos de interesse".

"Vós realmente discernistes minha exata constituição?", perguntou Apolônio.

"Nós", respondeu Iarcas, "podemos ver todos os traços espirituais, pois nós os pesquisamos e detectamos por uma infinidade de sinais. Nós sabemos tudo porque começamos por conhecer a nós mesmos, pois nenhum de nós seria admitido a esta filosofia a menos que antes conhecesse a si mesmo". Quando ele perguntou aos sábios quem eles se consideravam, Iarcas respondeu: "Deuses, pois somos homens bons". Iarcas falou então a Apolônio sobre suas vidas pregressas. Quando Apolônio perguntou-lhe sobre o número de sábios, que era dezoito, Iarcas respondeu que "não somos considerados por nosso número, nem os números se dignificam por nossa causa, mas devemos nossa honra superior à sabedoria e à virtude".

Iarcas falou do universo como uma criatura viva e sobre os cinco elementos - o quinto sendo o éter, cujo aspecto mais elevado preenche a alma sábia. Ele falou sobre o sofrimento causado pela ruptura da ordem da natureza e deu a Apolônio sete anéis para seu auxílio e proteção. Além destas palestras, Apolônio manteve muitas outras que não foram contadas a Damis, e diversas que também incluíram o próprio Damis. Depois de quatro meses Apolônio estava pronto para deixar os dezoito sábios. Ele deu a Iarcas uma carta: 
"Eu vim a vós a pé, mas vós me presenteastes com o mar; mas compartilhando comigo vossa sabedoria, vós me fizestes até mesmo voar pelos céus".

Apolônio então iniciou um giro pelo mundo romano, começando por Éfeso. Os oráculos de Cólofon, Dídima e Pérgamo louvaram sua sabedoria, e os negócios e a indústria da cidade pararam á medida que o povo se juntava para cumprimentar o sábio. Ele incentivou os efésios a seguirem a filosofia e viverem em um espírito comunitário, amparando e sendo amparados mutuamente. Ele alertou sobre uma praga que se aproximava, deu conselhos de como minimizar seus efeitos, e então aceitou um convite para visitar Esmirna. Ele encorajou seus cidadãos a se orgulharem de si mesmos como seres humanos antes do que pela famosa beleza de sua cidades, e ensinou que um equilíbrio harmonioso entre o espírito individualista e a concórdia garantiriam melhor a segurança do estado, pois então cada pessoa faria o que melhor sabe fazer e a pretensão não desgastaria a estrutura social. Enquanto estava em Esmirna, a praga em Éfeso assumiu proporções epidêmicas e a cidade mandou uma delegação para pedir-lhe ajuda. Apolônio só disse "Vamos", e instantaneamente apareceu em Éfeso, imitando Pitágoras que uma vez esteve em Turii e em Metaponto ao mesmo tempo. A população de Éfeso juntou-se a Apolônio no anfiteatro e lá ele identificou um demônio sob a forma de um homem velho, acusou-o e o destruiu quando este se transformou em um cão selvagem. A praga desapareceu.

Apolônio saiu então da Jônia e dirigiu sua rota para a Hélade. Em Ílio Apolônio passou a noite entre as tumbas dos heróis caídos na Guerra de Tróia, e então embarcou para Metimna, perto de Lesbos, na Eólia, pois em sua vigília havia descoberto que lá ficava a tumba de Palámedes. Palámedes, famoso por sua sabedoria, e inventor do farol, da balança, do alfabeto e do disco, havia se associado à expedição contra Tróia, mas foi falsamente acusado de traição e apedrejado até a morte pelos gregos. Durante toda sua vida Apolônio insistiu que em uma encarnação anterior havia sido Palámedes. Recém havia desembarcado, descobriu a tumba e uma estátua enterrada perto dela. Ele restaurou a estátua e ofereceu uma invocação: 

"Oh Palámedes, esquece a ira, pois te enfureceste contra os aqueus, e concede que os homens possam se multiplicar em número e em sabedoria. Sim, oh Palámedes, autor de toda eloqüência, autor das Musas, autor de mim mesmo".

Apolônio chegou em Atenas no dia do festival epidáurico para ser iniciado nos Mistérios Eleusinos, mas o hierofante se recusou a iniciar Apolônio pelo fato de que ele havia se introduzido em outros ritos. O sábio censurou o sacerdote por temer uma sabedoria maior que a sua própria, mas quando o sacerdote reconsiderou, foi Apolônio quem recusou a iniciação, predizendo que no futuro ele seria iniciado por outro. O assistente que ele nomeou assumiu a liderança dos Mistérios quatro anos mais tarde, e então Apolônio foi iniciado nos segredos de Elêusis. Durante sua estada em Atenas ele mostrou como um homem religioso poderia adaptar um sacrifício sem sangue e uma libação para qualquer deus, curou um jovem possuído por um demônio e reorganizou o festival de Dionísio. Convidado, o sábio visitou Esparta e encorajou o povo a aderir aos seus valores tradicionais. Os lacedemônios haviam sido acusados de abuso de liberdade por Nero, e Esparta havia se dividido sobre que atitude tomar, se uma agressiva ou uma pacífica. "Palámedes descobriu a escrita", sugeriu Apolônio, "não só a fim de que as pessoas pudessem escrever, mas também a fim de que pudessem saber o que não deviam escrever". Os lacedemônios tomaram um caminho intermediário e o assunto logo foi resolvido. Em sonho, Apolônio foi avisado para ir a Creta. Logo depois que chegou, um terremoto espalhou o terror nos corações da população. Mas Apolônio os acalmou declarando que a Terra havia na verdade dado à luz uma nova região. Viajantes vindos de Cidoniatis logo relataram que uma nova ilha havia surgido entre Thera e Creta.

Quando Nero desencadeou uma severa perseguição aos filósofos em Roma, Musônio de Babilônia foi aprisionado e Apolônio embarcou para a Itália para ver o que poderia ser feito. Embora trinta e quatro companheiros embarcassem com ele, só oito ousaram entrar em Roma com Apolônio. Quando interrogado pelo simpatizante mas amedrontado Telesino, Apolônio recusou-se a adequar sua fala e comportamento públicos para evitar confronto com o imperador. Em vez disto, ele visitou os templos e suscitou uma revivescência espiritual em Roma. Tiguelino, o camareiro-mor de Nero, prendeu Apolônio e acusou-o de impiedade contra o imperador. Desenrolando o pergaminho onde a acusação havia sido escrita, Tiguelino encontrou-o totalmente em branco. Imediatamente, libertou o sábio. Apolônio encontrou uma procissão fúnebre passando pelas ruas e descobriu que a defunta havia morrido na hora em que estava se casando. Apolônio ordenou que a morta fosse baixada ao chão, inclinou-se sobre ela e sussurrou em seu ouvido, e a moça imediatamente acordou. Ele recusou qualquer recompensa pelo ato.

Nero embarcou para a Grécia e Apolônio para a Ibéria, onde ele muitas vezes dizia aos habitantes o que Nero estava fazendo na Grécia. Encorajando a população a resistir a Nero, Apolônio partiu para a Sicília onde previu com exatidão que Vitélio, Galba e Oto deveriam cada um por sua vez reinar durante um curto período. Tomando um navio de Siracusa em direção à Grécia, transferiu-se para um outro, leucadiano, em Leucas, avisando que o primeiro haveria de naufragar. Em Lequeu seu companheiros souberam que o navio de Siracusa havia perecido no Golfo Crísio. Depois de visitar Atenas e Rodes, Apolônio embarcou para Alexandria, onde examinou criticamente o culto egípcio do fogo. Rejeitando os untuosos ritos do fogo dos sacerdotes, disse: "Se realmente tivésseis algum conhecimento da natureza do culto do fogo, veríeis que muitas coisas são reveladas no disco do sol no momento de seu nascimento". 

Vespasiano, enviado por Nero para reprimir a revolta judia na Palestina, convidou Apolônio para visitá-lo e aconselhá-lo. Quando Apolônio recusou-se a viajar á Palestina por que ela estava poluída, Vespasiano foi a Alexandria com seus conselheiros, Díon e Eufrates, para consultar o sábio. Antes que Vespasiano entrasse oficialmente na cidade, foi para junto de Apolônio num templo e ofereceu-lhe uma prece: "Torna-me rei".

"Já o fiz", replicou o sábio, "pois ofereci uma prece por um rei que fosse justo e nobre e moderado".

"Oh Zeus!", exclamou Vespasiano, "possa eu ter influência sobre os homens sábios, e possam os homens sábios ter influência sobre mim".

Apolônio passou muitos dias em concílio cerrado com o general, ganhando o respeito de Díon e o perene ódio de Eufrates, pois o sábio sustentava que a liderança de um imperador sábio era muito melhor do que uma constituição seguida por homens medíocres - "pois eu mesmo não me importo com as constituições, vendo que minha vida é governada pelos deuses". Depois que Vespasiano foi declarado imperador em Alexandria, o sábio advertiu-o para agir como um soberano quando governando e como um cidadão comum nos assuntos pessoais.

Com o império assumindo alguma aparência de ordem, Apolônio voltou sua atenção para o Alto Egito e a Etiópia. O sábio investigava cada cidade, templo e local religioso à medida que seu grupo viajava Nilo acima para encontrar os ascetas nus conhecidos como Gimnosofistas. Ele desapontou-se, pois embora pudessem remontar seu conhecimento até à Índia, Tespésio, seu líder, ensinava que os Brâmanes não tinham nenhuma sabedoria verdadeira. Os Gimnosofistas havia reduzido seu conhecimento ao ritual e a sua visão ao dogma. Durante os longos discursos de Apolônio, só Nilo, o mais jovem dos Gimnosofistas, o entendeu. Nilo entrou para seu grupo. Na volta, souberam que a coroa de Roma havia sido oferecida a Tito e ele a recusara porque havia derramado sangue. Apolônio apressou-se para Antióquia para conferenciar com ele, advertindo o futuro imperador para se acautelar contra os inimigos de seu pai até que ele mesmo se tornasse imperador, e, depois disso, contra seus próprios parentes.

Tito logo foi sucedido por Domiciano, o perseguidor dos amigos de Apolônio, especialmente de Nerva. Eufrates foi para Roma para convencer o imperador de que o sábio estava envolvido em uma conspiração contra o trono. Domiciano emitiu uma ordem ao governador da Ásia para que prendesse o sábio, mas a previsão de Apolônio permitiu-lhe partir para Roma antes que a ordem chegasse. Quando Apolônio navegava Tibre acima até Roma, Eliano, um conselheiro de Domiciano que havia encontrado o sábio no Egito, enumerou as acusações e descreveu as farsas da justiça na corte. De acordo com o parecer, Eliano deteve Apolônio e colocou-o na prisão. Antes do que preparar uma defesa, Apolônio passou seu tempo encorajando os outros prisioneiros. Damis protestou que "é um erro falar de filosofia com homens tão quebrantados em espírito como estes". "Não", respondeu o sábio, "são eles exatamente as pessoas que mais desejam que alguém lhes fale e os conforte". Apolônio operou tamanha transformação entre os prisioneiros, embora estivesse acorrentado e sua cabeça tivesse sido raspada, que Domiciano rapidamente antecipou a data do julgamento. Damis preocupou-se que Apolônio não tivesse tempo suficiente para prepara sua defesa. "Estás indo defender tua vida ex tempore?", perguntou Damis. "Sim, pelo Céu, pois uma vida ex tempore é a que eu sempre levei".

Damis chorou ao ver seu mestre cruelmente acorrentado, mas Apolônio insistiu: "Até onde depende do veredito da corte, estarei livre hoje mesmo, mas até onde depende de minha vontade, será aqui e agora". Então, livrando seu pé sem qualquer esforço das correntes, acrescentou: "Eis uma prova positiva para ti de minha liberdade; assim, consola-te". Damis escreveu que só então percebeu que Apolônio não era apenas abençoado pelos deuses, mas que era ele mesmo divino. Logo antes de seu julgamento, Apolônio enviou Damis por terra para Diceárquia, "pois lá me verás aparecer para ti".

"Vivo, ou como?"

"Vivo", sorriu Apolônio, "mas tu me crerás ressuscitado dos mortos".

A corte estava superlotada, pois Domiciano queria que muitas testemunhas vissem Apolônio desmascarado como conspirador. Apolônio não pôde defender-se; antes, Domiciano fez-lhe perguntas importantes. "Por que os homens te chamam de um deus?"

"Porque todo homem considerado bom é honrado com o título de deus".

"O que inspirou tua previsão de que os efésios sofreriam uma praga?"

"Eu seguia uma dieta mais leve que os outros, assim eu fui o primeiro a sentir a praga".

Domiciano, embaraçado com o efeito que estas respostas tiveram sobre a audiência, tentou adiar a sessão, mas o sábio interrompeu: "Concede-me a oportunidade de falar. Se não, envia alguém para prender meu corpo, pois minha alma não podes tomar. Antes, não podes nem mesmo tomar meu corpo - pois não me podes matar, uma vez que, digo-te, não sou mortal". E Apolônio se desvaneceu diante dos olhos de todos. Domiciano ficou tão atônito que recusou emitir uma ordem de busca ao sábio. Em Diceárquia, Apolônio apareceu para Damis, contou-lhe tudo o que havia acontecido e fez planos para embarcar para a Hélade.

Chegando na Grécia, Apolônio foi reverenciado como um deus, pois viajantes logo trouxeram as notícias dos espantosos eventos em Roma. O sábio viajou através da Hélade, visitando santuários, incluindo a gruta de Trofônio, onde recebeu um volume de Pitágoras, e passou para Esmirna e Éfeso. Lá ele viu o assassinato de Domiciano na hora em que isto estava ocorrendo em Roma, e informou o povo de sua libertação do tirano. Quando Nerva, que Apolônio defendera enquanto esteve preso, ascendeu ao trono, convidou o sábio para que fosse a Roma. Apolônio recusou, mas deu uma carta a Damis para levá-la ao imperador com a instrução: "Vive sem ser observado, e se isso for impossível, sai da vida sem que te observem". Vendo Damis partir, acrescentou: "Mesmo quando filosofares por ti mesmo, mantém teus olhos em mim". Damis partiu, e Apolônio desapareceu da história. Muitas são as versões de sua morte, aqui e ali, em Éfeso, em Lindo, em Creta. Alguns dizem que ele subiu diretamente para o céu ou desapareceu em um templo de Esculápio; outros que ele após a morte apareceu para quem duvidava; ainda outros dizem que ele jamais morreu. Todos concordam sobre sua vida de singular virtude, sabedoria, sacrifício e beneficência, e sobre o ensinamento que ele melhor exemplificou: 
"Os homens bons têm em sua constituição algo de Deus. Devemos entender as coisas no céu e todas as coisas no mar e na terra, que são abertas à fruição de todos os homens igualmente, embora seus destinos não sejam iguais. Mas existe também um universo dependente do homem bom que não transcende os limites da sabedoria, que permanece na necessidade de um homem moldado à semelhança de Deus... um homem para administrar e velar pelo universo das almas, um deus enviado pela sabedoria... capaz de afastá-los dos desejos e paixões".


Extraíde de:

O Amanhã é uma possibilidade

O Brasil avança em conquista de maturidade enquanto Nação e, mais ainda como Democracia. Vencemos mais um pleito eleitoral, no qual,...